Friday, July 28, 2006

Maria João Pires vai viver para o Brasil!


Foi, com uma surpresa fatalista que apanhei esta notícia na tv, esta manhã! Foi como que a tal gota de água, e sobre a partida desta virtuosa pianista eu derramos estas palavras!
Ah, ela parte? Pois faz muito bem, que neste país morno e flácido não faria carreira! Todos os méritos, aplaudos e prémios foram-lhe atribuidos no estrangeiro, porque haveria de por cá ficar? Que paerta, e já vai tarde! Gabo-lhe a coragem de se ir, de levantar o rabo de um sofá e fazer malas! Que parta deste país, cujos habitantes nem fazem a minima ideia de quem ela é! Se o seu apelido fosse Figo, ou Scolari, aí sim, seria outra coisa! Mas como não é o caso... Ela não chuta bolas, mas que ao menos chute este país de moles e choramingas! As pessoas por cá só sabem que isto é um país por alturas de grandes eventos futebolísticos, só por essas datas é que se lembram de enfeitar as sduas janelas e os automóveis com a nossa bandeira – Os bimbos, esses, até se maquilham com as cores nacionais e se vestem com elas pelas mesmas datas! – porque quanto ao resto, é um total deserto!
E, se não sabem que têm um país, muito mais ignoram que têm uma cultura! Faz muito bem a Maria João Pires em largar isto, faz muito bem o Joaquim de Almeida, aplaudo todos os “cérebros” que daqui vão desertando, desta barca encalhada, podre, soçobrada!
Entendamo-nos: a Arte não deve nada a Portugal! Este sim, deve-lhe muito mas não lhe paga nada! Não contem com os pulhíticos Nem para isto, nem para nada, aliás! Os pulhíticos que metem o dedo na cultura fazem tão sómente isso mesmo, meter o dedo! Como, aliás o metem em todo o lado, sem nunca, nem antes nem depois, o lavar! Fujam todos os artistas, emigrem para países onde serão melhor recebidos! Recuperem a vossa auto-estima, o vosso orgulho! Não o orgulho nacional, isso é para os pulhíticos! O orgulho internacional, isso sim! Rasguem as vossas raízes, saiam da vossa árvore, viajem, conheçam, amem! E esqueçam este lodaçal, cada vez mais pequenino, mais ardido, mais vendido, mais espanholado, e isso, últimamente, por obra e graça do nosso vil primeiro ministro!
Porque para a Maria João Pires cá ficar, o Banco Espírito Santo não pondera pagar-lhe, seja o que for!

7 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Dá-lhes, Zé! Acordaste irreverente, mas a tua "irreverência" faz todo o sentido e eu, mero leigo nestas coisas da ARTE, n posso deixar de sentir uma ganda raiva perante esta nossa nacional-paspalhice...
Frederico

4:11 AM  
Anonymous Anonymous said...

O teor dos comentarios referidos neste post (acrescente-se o de Eduardo Prado Coelho no Publico) vem afinal confirmar que MJP tem toda a razao nas criticas que fez.
Olha que figurinhas fantasticas --e com grande projecçao na ruazinha onde moram-- a vêm agora atacar!!
Tanta gente em bicos de pés! Porquê? Miseraveis!!!!!

1:47 AM  
Anonymous Anonymous said...

Queria dizer os "comentarios lidos em diversos jornais" (em especial o comentario intitulado A Pianista de Eduardo Prado Coelho), e nao neste post. As minhas desculpas pelo lapso.

1:49 AM  
Blogger inkisitor said...

Grande artigo de Fernando Mora Ramos sobre este tema no Publico de hoje (06-08-02).

3:54 AM  
Blogger Jean Ok said...

Caro José Abrantes, acompanho seu blog há algum tempo, mas esta é a primeira vez que comento.

Entendo perfeitamente sua revolta em relação a Portugal, mas receio que talvez Maria João Pires não obtenha mais reconhecimento no Brasil do que em sua pátria.

Sou brasileiro (desenhista de BD, como você), e te digo: as palavras que usou para descrever o seu país servem perfeitamente para descrever o meu. Como em Portugal, aqui no Brasil as pessoas só lembram que têm um país na época da Copa do Mundo.

E tenha certeza, também, de que os "pulhíticos" de cá não têm mais qualidade que os daí. Aliás, MUITO pelo contrário!

11:21 AM  
Blogger Flashfinger said...

Olá,
Com todo o respeito para com o autor do post, que não deixa de mostrar uma parte da realidade portuguesa para com muitos dos seus artistas, a verdade é que neste caso em particular não é a artista que tem razão. Ser-se artista não é desculpa para também entrar na incúria, para mais com dinheiros públicos, e deveria até demonstrar-se ser capaz de "descer à terra" e fazer uma gestão cultural arriscada, inovadora mas segura. Não foi o caso. Se querem um exemplo contrário, têm o Burmester, que enquanto intérprete não fica a dever nada a Maria João Pires (não obstante os elogios internos mais a uma do que a outro), e que é um excelente gestor cultural, não obstante os precalços causados pelos sucessivos (des)governos e, mais do que MJP, revela uma visão da cltura bem mais ampla - isto é, não cinginda a um só círculo de produção ou referências. Que MJP é uma artista exímia, sem dúvida, se bem que não de primeira água à escala internacional (é preciso reconhecê-lo e não estar com orgulhos nacionalistas que revelam desconhecimentos mais específicos), mas que é uma péssima gestora cultural e, por isso, não tem razão a culpar os outros pelos problemas que lhe foram levantados, também. Eu também não confiava o dinheiros dos meus impostos nas mãos dela (tal como detesto que o futebol lhe ponha as mãos, claro!).
Abraços,
Pedro

11:59 AM  
Anonymous Anonymous said...

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semelokertes marchimundui

10:16 PM  

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