Tuesday, July 25, 2006

Homenagem - Justa e merecida! - ao João Mascarenhas!


O João Mascarenhas é um meu amigo muito caro! Tanto ele, como a sua mulher, a Cris, aliás! Há já alguns anos que convivíamos na Tertúlia BD, no Parque Mayer – regida mrensalmente pela batuta de mestre Lino, ocmo todos sabem ou devem saber! Por vezes, o João mostrava-me algumas usas pranchas, sobretudo as dos seus trabalho iniciais, e devo confessar que não era grande entusiasta do que via mas, com o tempo, as suas coisas foram cada vez mais merecendo a minha atenção! Hoje em dia, é já um autor nacional incontornável, com um traço muito próprio, onde se nota muita imaginação, vontade em evoluir – ainda mais! – e um pendor em aplicar os seus eclécticos conhecimentos científicos e culturais! Resultado dessa sua constante e segura evolução, são as muitas encomendas que lhe são dirigidas, por várias publicações, organismos e empresas um pouco por todo o país! Paralelamente, o Geraldes Lino não o poupa com pedidos de novas partecipações para o Tertúlia BDZine. Ao mesmo tempo, o João vai escrevendo e ilustrando os livrinhos autoeditados do Menino Triste, com dois volumes já lançados, uma experiência muito bem sucedida, de apontamentos auto-biográficos em que o dito Menino vai vivendo o que o sue autor testemunhou nos seus tempos mais jovens... Estes seus dois livros têm tido um grande sucesso por parte do público e da crítica, tento a sua exposição temática, no último Festival de Banda Desenhada e Imagem da Amadora sido alvo de menções e críticas muito generosas! Há uns anitos, qwuando me preparava para o primeiro tomo das aventuras da minha bruxinha, a Morgana, coloquei no fórum do site centralcomics - http://www.centralcomics.com/ - um anúncio pedindo um colaborador para a elaboração do dito livro, o João foi um dos que, prontamente, me respondeu, oferencendo os seus bons préstimos! Nunca me arrependerei de os ter aceite! Estamos agora mesmo a terminar o segundo livro da Morgana e a nossa colaboração promete continuar! À guisa de homenagem – mútua, isto ele me tratar tão amávelmente na entrevista! – aqui incluo um trabalho que foi feito em sua homenagem, inicialmente publicado recentemente no Jornal de Leiria, assinado por Irene Cruz! Quanto à fotografia, foi por mim tirada, e pode-se ver o João debruçado sobre umas pranchas da Morgana e o Castelo nas Nuvens, a sair brevemente! * * * in Jornal de Leiria, João Mascarenhas, autor de BD e administrador do Centimfe Utiliza programas informáticos de modelação 3D para criar personagens de BD. As histórias que escreve tentam desmistificar as ciências e têm a particularidade de fazer pequenas referências a línguas ou alfabetos estrangeiros. João Mascarenhas, 46 anos, considera que, em Portugal, se faz “muito boa investigação” e que o sector dos moldes tem dado passos pioneiros no campo da inovação, ao longo da sua história. P - Por que é que há cada vez mais adultos a gostar deBanda Desenhada?

J. M. - As pessoas, finalmente, descobriram que a Banda Desenhada (BD) não é só para crianças, e que o facto de lerem os “quadradinhos” não os vai tornar menos adultos. O incremento da qualidade das histórias de BD é uma realidade, quer ao nível dos argumentos quer ao nível gráfico, contribuindo para que um público, que à partida não se interessava pelo género, sinta uma atracção natural e comece a comprar e a ler BD. Em França, por exemplo, é comum alguns álbuns de BD serem premiados como “Melhor Livro do Ano”. Temos assistido várias instituições a utilizar a BD como veículo de divulgação para determinadas mensagens e campanhas, vendo portanto na BD um aliado poderoso.

P - Qual o segredo da imortalidade da BD do Astérix e Lucky Luke?

J. M. - E atrevia-me a acrescentar o Tintin, entre outros. O maior trunfo destas personagens foi o facto dos seus criadores lhes terem incutido alguns valores que são universais, tais como amizade, humanismo, justiça e honestidade, com que as pessoas se identificam, aliados ao bom humor e aventura, que acabam por ser a chave do sucesso. E tudo isto ajudado por poderosas máquinas de marketing, que é o que falta em Portugal.

P - O que pensa da banda desenhada portuguesa?

J. M. - A BD nacional está num período excelente ao nível da criação, assistindo-se a uma enorme profusão de novos autores com enorme qualidade. Pena as editoras não apostarem neles, mesmo a nível internacional, já que temos autores (quer ao nível do desenho, quer ao nível do argumento) que têm enorme potencial de sucesso. Muitas vezes, as editoras preferem apostar em fórmulas de sucesso importadas, mas que não é linear que por cá tenham o mesmo êxito. Veja-se o caso do Titeuf, um herói franco-belga que vende milhões em França, mas que por cá passou despercebido.

P - Diz que aposta na BD para divulgação científica. De que forma?

J. M. - Tenho utilizado os dois mundos que me são queridos: a Ciência e a BD para, sempre que possível, os conciliar. Tenho colaborado com universidades nacionais e internacionais, revistas científicas, ordens profissionais, instituições várias, para através da BD ilustrar e divulgar determinados conceitos ou temas. É uma vertente que merecia maior atenção por parte de instituições oficiais.

P - Escreve para adultos. Já pensou em BD para crianças?

J. M. - Sim, claro. Tenho alguns trabalhos para gente mais nova. Ultimamente tenho colaborado com José Abrantes, um dos grandes autores nacionais de BD para crianças, o que muito me honra.

P - A sua última BD, Galáctica, é bilingue. Porquê o japonês?

J. M. - Em primeiro lugar, adoro línguas, e tento aprender o máximo que o tempo me permite. Sempre que posso, incluo nas histórias pequenas referências a línguas ou alfabetos estrangeiros. Por exemplo, árabe, japonês, línguas utilizando o alfabeto cirílico são muito “gráficas”, daí essa utilização. O japonês é uma das minhas recentes descobertas, e embora não saiba o suficiente para escrever, tenho um colega que me tem ajudado nessa tarefa, traduzindo os textos. A história a que se refere faz parte de uma série em que a alta tecnologia está presente, e que achei que fazia algum sentido ter a inclusão – gráfica – de algumas palavras em japonês. Daí à versão bilingue foi um pequeno passo.

P - Utiliza a alta tecnologia na criação das personagens de BD?

J. M. - Não sei se se pode chamar “alta tecnologia”, mas tenho utilizado alguns programas informáticos de modelação 3D para a criação de algumas personagens. Agora penso utilizar a “alta tecnologia”, como a prototipagem rápida, para a realização de alguns projectos relacionados com BD.

P - Qual a personagem de BD que gostaria de ter criado? Alguma com que se identifique?

J. M. - Pela dimensão planetária e humanista, gostaria de ter criado o Tintin, mas não tenho arte nem engenho para ansiar a tal. Identifico-me com O Menino Triste, sendo algumas das suas páginas baseadas em vivências pessoais.

P - Há várias personalidades que têm referido que em Portugal se faz pouca investigação. Concorda?

J. M. - Não. Como cientista, a quantificação qualitativa não me diz grande coisa: “pouco” e “muito” são sempre muito vagos. Em Portugal, faz-se muito boa investigação, com os recursos e os apoios que dispomos. Determinadas pessoas usam essa “bandeira” quando querem denegrir o trabalho de algumas instituições. Não percebo determinadas atitudes. Não se pode “medir” o êxito da investigação unicamente pelo número de papers publicados. Existe muito trabalho desenvolvido com empresas que não é susceptível de ser publicado, por diversas razões. E esse trabalho é muito importante para as mesmas, só que não é visível no domínio público. Agora, podemos fazer ainda mais. Mas, para isso, é necessário tanto a jusante dessa investigação (nomeadamente empresas) como a montante (apoios públicos, investigadores,...) estejam bem sintonizados e saibam perfeitamente o que se pretende e com o que contar. É que muitas das vezes exige-se, mas não se dão condições. Assistimos, num passado recente, a certos apoios à investigação sucessivamente atrasados, levando a que as instituições envolvidas passassem por dificuldades, tendo de usar a imaginação para colmatar essas falhas, e não colocar em causa o trabalho contratado.

P - O sector dos moldes tem sido apontado como inovador. Como é que essa experiência pode ser aplicada a outras actividades?

J. M. - O sector dos moldes tem dado passos pioneiros no campo da inovação, ao longo da sua história. É sempre bom saber aprender com o que de bom se faz neste País, embora às vezes tenhamos a tendência de ignorar esses bons exemplos. A extrapolação do bom exemplo do sector dos moldes para outras actividades depende em grande medida dos interesses que possa haver noutras áreas, e na dinâmica das equipas do sector. Na Marinha Grande, temos o Centimfe, que tem usado alguns casos de sucesso, por exemplo ao nível das tecnologias da informação, para as aplicar noutros campos, nomeadamente o autárquico. E muito mais se poderá fazer. Temos é de ter os actores certos na hora certa. E no Centimfe isso acontece.

Elisabete Cruz

Autor de BD torna-se engenheiro

João Mascarenhas desde sempre que tem o gosto por BD. Doutorado em Engenharia Mecânica e de Materiais pela Universidade de Bradford, Inglaterra, considera que foi um autor de BD que se tornou engenheiro. Divide a sua vida entre Lisboa, onde é investigador auxiliar no Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Investigação (INETI), e a Marinha Grande, já que é um dos administradores do Centimfe, na Marinha Grande. Aos 46 anos, soma vários prémios de BD, entre eles o primeiro prémio Salão Livre da Fundação Marquês de Pombal, troféus Centralcomics.com, pelo Melhor Fanzine Nacional 2001 e melhor História Curta, em 2006. João Mascarenhas conta ainda com menções honrosas nos primeiro e terceiro concursos de BD de Loulé, em 1992 e 1994. Reprodução da entrevista autorizada pelo João Mascarenhas

0 Comments:

Post a Comment

<< Home