Friday, June 02, 2006

Astérix e os Vikings


Não tarda mesmo nada, e estreia entre nós a versão dobrada – para português! – de Astérix et les Vikings, adaptação para o desenho animado, muito livre, do livro Astérix et les Normands, da dupla justamente famosa René Goscinny e Albert Uderzo.Tratando-se de um dos mais felizes dos episódios das aventuras de Astérix, não mereceu uma adaptação à altura para o cinema. A história estica-se, torna-se monótona, as tiradas humorísticas que herda do livro está mal aproveitada, e as ideias – e personagens novas são boçais, inúteis mesmo. O que o génio de Goscinny faria de um imbecil como Olaf é difícil de imaginar, mas no filme é muito pouco inspirada, sem brilhar uma vez que seja! Abba, a figura feminina não é mais que uma pálida inspiração das recentes princesas da linha Disney, que também pouco mais fazem que se imitarem, umas às outras! Há negligências berrantes, como o constante desaparecimento de Ideiafix de uma sequência para a outra!A versão portuguesa tem o mérito (mesmo assim, discutível!) de aproveitar dos nomes recém baptizados pelas novas traduções da ASA, de alguns dos personagens! A mesma sorte, esta editora não conseguiu com a série telefisiva Titeuf (entre nós, apelidada “Tufão”!)Este filme é alvo meritório da já longa polémica sobre a adaptação de livros para o cinema! Se, por um lado consegue fugir, mesmo que mal, como já o disse, à versão original, a visualização de alguns aspectos típicos da série peca desagradávelmente! Refiro-me, por exemplo, às cenas de lutas, sobretudo com os coitados dos romanos! Aquilo que Uderzo tão bem sabia fazer – numa entrevista, dizia mesmo que era do que lhe mais custava desenhar! – como as incursões bélicas dos gauleses contra um acampamento de romanos, com um ritmo e um homor ligeiro e divertido, aqui é um exercício de crueldade e sadismo que arrepia qualquer um, sobretudo um espectador mais jovem!A sonorização também é fraca, sendo excessiva precisamente em sequências mais ritmadas ou violentas, ferindo os ouvidos de qualquer um espectador.Deixo, para o final, uma boa nota quanto ao desenho e sua animação! Sem merecer apalusos extremos pela pouca riqueza dos cenários nórdicos, a caracterização dos personagens e dos seus movimentos está muito agradável, escorreita e natural! O pequeno Goudourix – Atrevidix, na nossa tradução actual! – é um “boneco” muito giro e expressivo, e a jovem Abba não lhe fica atrás!
Realização: Stefan Fjeldmark e Jasper Moller
Guião e diálogos do filme: Jean-Luc Goosens
Produção M& Studio – Mandarin SAS – 2d3D Animations

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