Wednesday, May 17, 2006

Tintim – O Sonho e a Realidade


Tintim – O Sonho e a Realidade (A História da criação das Aventuras de Tintim)Michael Farr (com tradução para português de Paula S. Leite)Edições Verbo, 2005Este livro agora traduzido pela Verbo é um bom exemplo de uma questão que me merece a reflexão: os livros do Tintim merecem tanta atenção, como os estudos que os abordam, tão rica é a imaginação do seu autor, as suas fontes documentais, as suas ideias e opções, ou mesmo o estudo do contexto histórico em que estão obviamente integradas.Isto, certamente, poderia ser dito de muitas outras obras e autores, caso merecessem por parte do seu público, estudiosos e editores tamanha atenção. Infelizmente em muitos casos, não foram alvo de tantos cuidados em vida. Quão bom seria termos acesso a umas boas entrevistas com Foster, Herriman, Outcalt ou MacCay, só para dar uns meros exemplos?Mais complicado ainda, é que por vezes certas entrevistas parecem feitas com pouca atenção, e há respostas que mereceriam novas perguntas, que abrem pistas para descobertas interessantíssimas…Voltando ao livro que abordo, este senhor Michael Farr, que tem formação de jornalista, não deixa créditos em mãos alheias, como é costume dizer-se, e entrega-se com afinco a uma análise detalhada, nunca descurando detalhes biográficos, mostrando muitos documentos retirados dos arquivos do artista em análise, tanto esboços, fotografias dele ou de seus companheiros ou, sobretudo, e é nisto que este livro tem como principal campo de força, ou seja, há uma especial atenção ao trabalho documental que Hergé recolhia e reinterpretava – por vezes, dava-lhe uma volta por completo! – tanto em leituras de livros, jornais ou revistas, e há pelo meio alguns títulos bem conhecidos, como a National Geographic ou a Paris Match, tendo esta ultima merecido mesmo uma homenagem, ao utilizá-la, embora com o nome mudado para Paris Flash, em As Jóias da Castafiore. A recolha de fotos, profusa nesta edição, está sempre organizada de modo a apresentar a versão desenhada ao lado, o que permite sempre tirar algumas conclusões como, por exemplo, da admirável capacidade de síntese que o artista possuia, sabendo não cair num erro comum de ser escrupulosamente fotográfico, sabendo despojar a imagem de excessos, de toques desnecessários para a boa leitura da imagem ou para a caracterização de uma personagem. Na cor havia também um bom trabalho aplicado, tanto mais que muitas vezes - sobretudo durante uma certa época – as imagens que podia recolher não tinham cor…O texto do livro é fluido e parece bem traduzido, merece uma nota menos positiva em dois aspectos: uma delas, diz respeito às vinhetas dos livros de Tintim utilizadas para a edição, que estão recoloridas para o efeito, por processos informáticos que, se por um lado são fidelíssimos - e até mais “limpos” que as imagens reais, mas que tornam o traço propriamente dito algo inexpressivo, com uma frieza que o desenho de Hergé não possui nem nunca possuiu. Mas o mais aborrecido, é a “necessidade” que Michael Farr tem de reproduzir partes, por vezes extensas, de diálogos da série. Sem as imagens onde os ditos textos se enquadram, fica uma sensação de um vazio ridículo, artificial, que torna a leitura forçada e banal, sobretudo quando é uma tirada humorística, ou especialmente dramática.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Não percebi nada.

1:26 PM  

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